Trabalhador não conhece a dermatose ocupacional
O Serviço de Dermatologia Ocupacional do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da ENSP, da Fiocruz, recebe cerca de 12 novos casos de dermatose ocupacional por mês, e fora da Fiocruz não há um serviço similar. “Não existe serviço especializado em dermatose ocupacional; os médicos não são preparados e os trabalhadores não têm ideia de que se trata de uma doença acometida pelo trabalho. Dessa forma, há uma subnotificação dos casos. Não existe um trabalho em conjunto que permita que os trabalhadores cheguem no INSS com todas as informações para uso de seu direito”, diz a dermatologista da ENSP, Maria das Graças Mota Melo.
Investigar e esclarecer os casos suspeitos da dermatose adquirida no trabalho é o objetivo do Serviço de Dermatologia Ocupacional da ENSP que recebe trabalhadores encaminhados pela Rede do Sistema Único de Saúde (SUS), pelos sindicatos e pelo INSS. Depois de realizados os testes de investigação, em sua maioria testes de contato, e detectar a alergia, a ENSP emite um laudo técnico que informa se o trabalhador possui dermatose ocupacional, se tem condições de continuar no trabalho, quais as medidas de proteção e prevenção que devem ser adotadas, ou até mesmo a sugestão de mudança de atividade.
As profissões com mais incidência de agressão à pele do trabalhador são as de pedreiro, pintor, pessoal de limpeza e manicure. Quem trabalha com água, como serventes, atendentes de bar, restaurante e lanchonete, corre sério risco de desenvolver doenças cutâneas. Além disso, o trabalho frequente com água atua ainda como facilitador da ação de outros agentes irritadiços, como sabões e detergentes. Já os irritantes químicos como solventes, sabões, detergentes, sumos vegetais, óleos de corte, antioxidantes, ácidos, alcalinos e agentes redutores são responsáveis por 75% a 80% dos casos de dermatite de contato relacionada ao trabalho.
Fatores mecânicos e físicos como calor, frio, umidade, radiação (ionizante e não ionizante e ultravioleta) e vibração também contribuem para o efeito dos agentes químicos. Os trabalhadores do setor da agricultura, florestas, pesca e processamento de alimentos apresentam problemas relacionados a insetos, plantas, fungos, bactérias e virus que podem promover ou agravar dermatites de contato. Já o pessoal do setor industrial como maquinistas, fabricantes de metais, indústria mecânica e construção civil também podem sofrer pequenos traumas, incluindo lacerações, feridas perfurocortantes e queimaduras que agem como facilitadores da ação de agentes químicos.
A dermatologista alerta para a necessidade de inclusão, por parte das empresas, da informação ao trabalhador a respeito das micoses. “As empresas devem promover ações educacionais mostrando os riscos a que estão expostos e alertá-los a procurar um médico tão logo surja sinal de dermatose”, conclui.
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Publicado por Conceicao Costa







Trabalho há 14 anos em bar na cozinha,em varias funções e adquiri dermatite de contato cronica,estou procurando aonde posso fazer teste de contato,uma investigação devido incapacidade de trabalhar.O dermatologista do posto 11 em olaria me encaminhou para fazer o teste de contato para levar laudo ao inss.podem me ajudar?