Resfriar o corpo previne sequelas da parada cardíaca
Uma nova técnica, já aplicada em outros países e autorizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, começa a se expandir no Brasil. O procedimento utiliza bolsas de gelo no corpo do paciente, resfriando-o em até 5°C, para diminuir o risco de sequelas em vítimas de paradas cardíacas que perdem a consciência.
A novidade, usada em hospitais de São Paulo, como o Hospital Municipal Doutor Moysés Deutsch, na Zona Sul da cidade, conseguiu recuperar os sentidos de oito pacientes, a cada dez levados à hipotermia com o método. Em comparação aos doentes em que a técnica não foi utilizada, de 60% a 90% das vítimas morreram. Dos sobreviventes não tratados, 80% tiveram sequelas.
O procedimento, simples e barato, consiste na aplicação de bolsas de gelo no corpo do paciente e, em alguns casos, injeção de soro gelado. Já aplicado na Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Inglaterra e reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pode se tornar orientação mundial em outubro, quando será discutido em uma reunião da Sociedade Internacional de Cardiologia.
A parada cardíaca interrompe repentinamente o bombeamento de sangue pelo corpo, responsável por levar oxigênio para o resto do organismo. O alto número de mortes está relacionado à ausência de oxigênio no cérebro e ao gasto excessivo de energia por parte das células. Os neurônios morrem quando ficam sem oxigênio por mais três minutos, o que pode provocar danos irreversíveis a atividades cerebrais e motoras.
A técnica reduz a temperatura corporal de 37ºC para 32ºC durante 24 horas, o que diminui o metabolismo do cérebro em 30% e pode frear os efeitos da falta de oxigênio, explica o médico Antonio Cláudio Baruzzi. A técnica, já consolidada por estudos que foram feitos nos últimos dez anos no exterior, pode salvar vidas, porque anteriormente as vítimas de parada cardíaca ou morriam ou ficavam em estado vegetativo, conclui Baruzzi.
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Publicado por Mondarto







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