Portadores de desfibrilador implantável podem praticar esportes
Recentemente, durante o Heart Rhythm Society (HRS), congresso internacional sobre arritmias cardíacas, foi apresentado um estudo sobre a segurança da prática esportiva para atletas portadores de Cardioversor-Desfibrilador Implantável (CDI), cuja finalidade é converter todos os episódios de fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (VT) através de um choque de desfibrilação para o coração.
Um grupo de médicos, liderados por Rachel Lampert, professora de medicina da Universidade de Yale, anunciou o estudo prospectivo na sessão “Segurança do Esporte para pacientes com CDIs: Resultados de um registro prospectivo multinacional”.
Em 2006, o Journal of Cardiovascular Electrophysiology publicou uma pesquisa com cerca de 1.600 membros da Heart Rhythm Society (Sociedade Internacional de Arritmias Cardíacas). Dentre os 600 médicos que responderam sobre os pacientes que eram por eles acompanhados, foram observados menos de 5% de lesões do sistema (a maioria relacionadas à lesão de eletrodo por atividade de movimentação repetitiva, como golfe e levantamento de peso) e menos de 1% de falência em reversão da arritmia.
Desde 2008, após o Consenso da 36ª Conferência de Bethesda (Cardiovascular abnormalities in the athletes: recommendations regarding eligibility for competition), as recomendações sobre atividades esportivas em pacientes cardiopatas indicavam que atletas portadores de CDIs deveriam ser afastados de todas as atividades esportivas. Esta postura ainda leva em conta que talvez o desfibrilador implantável possa não agir corretamente no pico da atividade física e, assim, causar choque inapropriado ou mesmo apropriado durante atividade física, incorrendo no risco de lesão ao paciente ou a outros participantes. O Consenso também indica que pacientes com marca-passos não devem participar de atividades que possam gerar trauma corporal.
Os dados apresentados até então inspiraram a professora da Universidade de Yale e colaboradores a buscar pacientes ativos para uma nova análise multinacional. Este novo estudo teve como foco o registro com atletas submetidos a implantes de desfibriladores implantáveis pelas mais diversas causas que, mesmo tendo sido orientados de acordo com as diretrizes a abandonar o esporte que praticavam, decidiram continuar.
O objetivo primário do registro era a morte durante a prática esportiva ou o trauma relacionado a arritmias cardíacas ou a choques. Os objetivos secundários foram o mau funcionamento do dispositivo ou a necessidade de múltiplas terapias para interrupção da arritmia.
Dados do Estudo
Do total de 372 pacientes, 328 praticavam atividades competitivas, em sua maioria, corrida, basquete e futebol, enquanto outros 44 realizavam esportes de maior risco e 138 participavam de torneios em diversos níveis. Durante 31 meses não houve morte ou trauma relacionado a choque ou arritmia. Deste total, 97%, no final do quinto ano de implante, e 90 %, no final do décimo ano, permaneceram com eletrodos íntegros (com funcionamento normal), ou seja, uma taxa semelhante a não atletas portadores de desfibrilador implantável. Apenas 7 atletas apresentaram parada cardiorrespiratória, revertida com sucesso pelos choques do CDI, enquanto 9% dos pacientes apresentaram choques. A maioria manteve a prática das atividades mesmo após a terapia.
“Este registro abre novos horizontes para a melhor compreensão da história natural das doenças desses pacientes, bem como novas perspectivas no tratamento de atletas não só prolongado a sobrevida, mas também preservando a qualidade de vida”, avalia do Dr. Bruno Valdigem, especialista em Eletrofisiologia Clínica e Invasiva pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas/SOBRAC e pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina.
Para os cardiologistas e ritmologistas Adalberto Lorga Filho, Presidente da SOBRAC (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas), e Bruno Valdigem (membro da SOBRAC), que participaram da sessão científica do HRS2012, “o estudo mostra que é possível a realização de práticas esportivas por portadores de CDI, sem que haja maiores prejuízos ou riscos ao paciente. Entretanto, cada caso deve ser avaliado individualmente, e discutido os prós e contras com o paciente”.
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Publicado por Lais












[...] que os atletas de alto rendimento que acabam morrendo, na sua maioria, já tinham algum problema cardiovascular herdado geneticamente dos pais ou devido ao desenvolvimento de uma aterosclerose precoce. Exames [...]