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  • jul

Óvulos no freezer por até 15 anos

Por Conceicao Costa, em Fecundação assistida.

in vitro fertilization 11 Óvulos no freezer por até 15 anosO recurso existe. Chama-se vitrificação. E mulheres contemporâneas com uma lista de prioridades (crescer na profissão, achar respostas na terapia, conhecer o mundo, experimentar modelos de relação, encontrar o príncipe encantado) antes de decidir se quer ou não ser mãe, também. Para garantir uma gravidez tardia, seja lá qual o motivo, cada vez mais mulheres estão aderindo à técnica de congelamento de seus óvulos.

Modelo Irvine- técnicas e resultados; modelo Vitri-Ingá – técnicas e resultados; vitrificação prática; desvitrificação; orientação personalizada são alguns dos temas que serão abordados no XIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, que acontecerá nos dias 27 a 29 de agosto, em Curitiba, Paraná. Quem quiser participar é só acessar o site da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e se inscrever.

O processo de vitrificação começa como um tratamento de fertilização in vitro, com a aplicação de injeções de hormônio durante quase duas semanas para estimular os ovários a liberar uma maior quantidade de óvulos. Em seguida, aspiram-se esses óvulos. E aí, em vez de fecundar e implantá-los de volta no útero, como aconteceria no processo de fertilização, eles vão direto para a geladeira, conservados em nitrogênio, a uma temperatura de 195 graus negativos. A técnica surgiu no final dos anos 80 e chegou ao Brasil há oito anos. Até três anos atrás, no entanto, óvulos descongelados não vingavam. As chances de se obter uma gravidez a partir deles era mínima.

Hoje a técnica evoluiu e a perda é de apenas 2%. E a gravidez acontece em 60 % dos casos. Mas a futura candidata que quiser congelar seus óvulos terá que desembolsar cerca de R$ 15 mil para o procedimento e mais R$ 600 por ano para a manutenção. Um óvulo pode ficar congelado por até 15 anos. “Se a mulher não tem um parceiro ou queer atrasar a gravidez por algum motivo, ela pode fazer um back up. No futuro, terá óvulos paralisados na idade em que foram congelados. O congelamento é a grande tendência”, diz Isaac Yadid, um dos diretores da Clínica Huntington, a maior em reprodução assistida do país, com 11 unidades, no Rio e em São Paulo.

Segundo o diretor da clínica – que fez 60 congelamentos nos últimos dois anos, desde que a técnica se aprimorou – quando se tenta engravidar depois dos 40, o erro genético acontece com muito mais frequência. Mas agora a mulher pode recorrrer ao óvulo que congelou aos 30, 30 e poucos. “O útero normal, sem anomalias, carrega uma gravidez em qualquer idade, até na menopausa. O óvulo é que perde a validade”. Com o congelamento dos óvulos a mulher agora pode ter filhos aos 40, 50, 60. Se tiver problemas no útero que a impeçam de carregar a gravidez, basta contratar uma barriga de aluguel. A lei brasileira permite o procedimento entre parenetes, sem transação financeira, mas por aqui se encontram candidatas na internet por cerca de R$ 30 mil.

No mundo todos as mulheres estão escolhendo – ou não – a maternidade cada vez mais tarde. Nos Estados Unidos, segundo a Sociedade Americana de Medicina da Reprodução (ASRM) cerca de três mil nascimentos por ano – ou seja, cerca de oito nascimentos por dia – acontecem a partir da implantação de óvulos fertilizados, sendo 15% desse total utilizando óvulos congelados. No Brasil, só a Hungtinton fez em 2008 cerca de 2.800 procedimentos de fertilização, sendo dois mil em São Paulo e 800 no Rio, nenhum óvulo congelado. De acordo com Isaac Yadid, na Europa e nos Estados Unidos, as mulheres procuram os laboratórios com 25, 30 anos, idade  mais adequada porque os óvulos são abundantes e de boa qualidade. No Brasil dá-se ao contrário: as brasileiras quando chegam aos laboratórios já estão com a idade avançada e os óvulos de baixa qualidade.

Foi o caso da advogada Zélia Maria Natalli Freitas, de 48 anos, a primeira brasileira que gerou um filho a partir de um óvulo congelado. Ela se casou aos 27 e aos 37 anos, depois de retirar um ovário, resolveu congelar seus óvulos. Zélia conta que o médico que a atendeu falou da rudimentar técnica de vitrificação e a aconselhou a tentar. Três anos depois, a advogada resolveu ser mãe. Ela disse que nem tentou naturalmente. Recorreu aos óvulos que estavam na geladeira. Júlia nasceu em 2 de dezembro de 2001.

A reprodução assistida começou em 1978 com o nascimento, na Inglaterra, de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta.



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