Obesidade entre crianças e adolescentes aumentou. A geração saúde existe?
O professor de endocrinologia da Puc-Rio, Walmir Coutinho, diz que não existe uma geração saúde. E o pior. Nunca existiu! Para ele, os jovens de hoje que são realmente saudáveis representam uma parcela pequena, embora tenham grande visibilidade, por serem de uma camada de renda mais alta. “Trata-se do único estrato social em que a obesidade diminuiu”, afirma o médico. Para reforçar a opinião do professor da Puc-Rio, um artigo publicado na revista “Motriz“, da Universidade Estadual Paulista, afirma que quase metade dos estudantes “não tem aulas regulares de educação fÃsica, e o Ãndice de sedentarismo entre adolescentes é de 85% nos homens e de 94% nas mulheres. Segundo o artigo, para piorar a situação, a prática de exercÃcios fÃsicos diminui com a transição à fase adulta.
Para o endocrinologista Walmir Coutinho o combate ao sobrepeso deve partir da escola, da famÃlia e do ambiente urbano. Desde janeiro que as escolas estaduais e municipais do Rio de janeiro adotam as novas regras estabelecidas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC): a merenda deve atender pelo menos 20% das necessidades nutricionais dos estudantes em perÃodo parcial e até 70% dos de perÃodo integral. Além disso, os cardápios têm que ser diferenciados por faixa etária e devem ser especiais no caso de alunos diabéticos. O MEC proibiu a compra de refrigerantes, refrescos artificiais e bebidas com baixo valor nutricional para a merenda escolar. Mas os colégios particulares, segundo o médico, conseguem liminares que os desobrigam a cumprir lei que proibe a venda de guloseimas nesses ambientes. Além da alimentação saudável, Walmir Coutinho acha que os colégios deveriam também estimular a atividade fÃsica. “Nas escolas brasileiras, as aulas de educação fÃsica são aplicadas, em média, duas vezes por semana. Deveria ser cinco”, critica.
Por mais que as escolas se esforcem na luta contra a obesidade, a criança não criará hábitos saudáveis sem a contribuição dos pais. Se a criança vem de uma casa onde as pessoas comem sem restrição, ficará difÃcil de ela aceitar comer melhor. Uma pesquisa realizada em Israel dividiu as crianças obesas em dois grupos: um com tratamento tradicional (onde havia consultas mensais com nutricionistas) e outro expereimental (em que ambos os pais acompanhavam os trabalhos). O segundo grupo conseguiu resultados mais concretos. Além da famÃlia e da escola, há também o ambiente urbano contribuindo para que cada vez mais as crianças estejam acima do peso. “Hoje, adota-se cada vez mais um modelo horizontal de crescimento, em vez do vertical. É o que aconteceu na Barra da Tijuca a partir dos anos 70. Todos acreditavam que seria um bairro perfeito para a promoção de uma vida saúde, mas não é o que acontece. É preciso pegar o carro para tudo. O ideal é um ambiente que estimule os exercÃcios ao ar livre, o que é feito, por exemplo, pela presença de ciclovias“, conclui.
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Publicado por Conceicao Costa







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