Modafinil – uma moda perigosa
Uma nova droga, o modafinil, está em alta entre os workaholics e geeks. Usada para o tratamento de narcolepsia, agora está sendo consumida por pessoas saudáveis que querem passar mais tempo acordadas, sem perder a capacidade cognitiva.
Entre as promessas do produto, está a de manter uma pessoa acordada por até 24 horas, sem deixá-la ‘grogue’. Apesar de ser aprovada pela FDA (entidade que regula medicamento nos Estados Unidos) e pela Anvisa, o uso da droga é polêmico e diversas pesquisas confrontam a sua eficácia e apontam riscos para o paciente.
De acordo com um boletim do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, em 2007, foi publicada no Canadá uma carta de alerta aos profissionais da saúde informando sobre eventos adversos associados ao modafinil. Entre eles estão sérias reações dermatológicas crônicas, hipersensibilidade e reações de ordem psiquiátrica.
Além disso, tanto adultos quanto crianças tratadas com modafinil apresentaram reações dermatológicas como: necrólise epidérmica tóxica, Síndrome de Stevens-Johnson e rash com eosinofilia e sintomas sistêmicos. Relataram também angioedema, reações anafiláticas e reações de hipersensibilidade em diversos órgãos, envolvendo pelo menos um caso fatal.
Já a revista Scientific American relatou que pesquisadores americanos organizaram um estudo aleatório duplo-cego com a administração de placebo. Nele 50 voluntários foram mantidos acordados durante 54 horas consecutivas. Depois de cerca de 40 horas, os indivíduos receberam placebo ou 600 miligramas de cafeína (uma dose equivalente a cerca de seis xícaras de café) ou uma de três possíveis doses de modafinil (100 miligramas, 200 miligramas, ou 400 miligramas). Depois foram submetidos a uma bateria de testes para avaliar as funções cognitivas e os efeitos colaterais.
O resultado? A dose mais alta de modafinil, de 400 miligramas, eliminou a fadiga e restaurou o desempenho cognitivo aos níveis normais – mas a cafeína também. Os efeitos colaterais relatados com a nova droga foram muito baixos, bem como os da cafeína.
Sendo assim, os pesquisadores concluíram que não há nenhuma vantagem aparente em usar o modafinil no lugar da cafeína, já que as duas drogas se comportaram de forma muito similar. O artigo da revista apontou ainda que outras pesquisas indicam que estimuladores cognitivos atualmente no mercado podem não ser melhores que a cafeína.
Por isso, é importante, antes de começar a usar um medicamento, consultar um médico, para que ele possa analisar qual o melhor tratamento para o seu caso. Se não, talvez seja melhor ficar com o cafezinho mesmo.
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Publicado por Carmem Moraes





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