Medicina paliativa oferece qualidade de vida a pessoas com doenças incuráveis
Em dezembro, o Senado deixou de considerar crime a ortotanásia, que permite a suspensão de equipamentos e medicações que prolonguem artificialmente a vida de doentes terminais. Segundo os médicos, existem situações irreversÃveis, em que se esgotaram todas as possibilidades de cura. O foco não é mais manter a pessoa viva por conta da tecnologia, e sim aliviar o que lhe causa sofrimento. É aà que entra a medicina paliativa. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que 80% dos portadores de câncer avançado terão dores intensas e insuportáveis na fase terminal da doença. Outros sintomas como tosses, soluços, diarreias persistentes, ulcerações tumorais com mau cheiro, vômitos incoercÃveis, infecções micóticas orais e bacterianas secundárias do tumor e de trato gastrointestinal, entre outras, também estarão presentes na fase terminal.
A medicina paliativa tem dado uma importante contribuição na amenização desses sintomas. Sem pretensão de cura (pela sua impossibilidade), o essencial para alguém que está no fim da vida é, segundo a geriatra, Claudia Burlá, o contato, o toque, cuidar bem do outro, deixá-lo limpo, impedir feridas. O compromisso do médico paliativo é que o paciente viva intensamente até o dia de sua morte. “O grande desejo de um senhor era ir à formatura do neto, de quem ele custeou os estudos. Mas ele estava muito fraco que não saÃa da cama nem para tomar banho. Dias antes, demos medicação para combater a fadiga. A fisioterapia melhorou o tônus muscular, e ele pode ficar na cadeira de rodas. Ele foi e teve uma grande felicidade. Viveu mais uns dias e morreu. Ele precisava disso”, contou a médica.
A médica, que cuidou do ator Fernando Torres, conta que morrem 58 milhões de pessoas por ano no mundo. Menos de 10% são de causas agudas (mortes súbitas como infarto, acidente de carro, aneurisma e embolia pulmonar). os 90% restantes são de causas degenerativas (como câncer, demência, Aids, doenças neurológicas, enfizemas e problemas renais). Estima-se que 34 milhões de pessoas por ano precisem de cuidados paliativos. Segundo a OMS, esses cuidados consistem na assistência ativa e integral a pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo, sendo o principal objetivo a garantia de melhor qualidade de vida, emocional, espiritual e social, tanto do paciente quanto da própria famÃlia.
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Publicado por Conceicao Costa







[...] médico não pode abandonar seu paciente; em doenças incuráveis, o médico deve oferecer todos os cuidados paliativos disponÃveis; o paciente tem direito a uma segunda opinião; o paciente tem direito a receber a [...]