Medicamentos tiveram peso significativo nas despesas das famílias, diz pesquisa
A saúde continua sendo um item pesado do orçamento familiar. Pesquisa sobre “Conta Satélite de Saúde no Brasil 2005-2007“, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o gasto médio das famílias brasileiras com saúde correspondem a 8,2% de tudo o que elas consumiram em 2005. Essas despesas foram principalmente com remédios (35%) e outros serviços, como consultas e exames feitos fora do ambiente hospitalar (34%). O crescimento dos serviços ambulatoriais em detrimento das internações hospitalares (19% do consumo das famílias) é uma tendência mundial.
Segundo a pesquisa do IBGE, os gastos das famílias com saúde no Brasil responderam por 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto de bens e serviços produzidos no país) em 2007, enquanto os da administração pública ficaram 3,5% do PIB. Pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública, dizem que se comparado com os Brics ( o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o país onde os gastos com saúde proporcionalmente ao PIB é mais alto. Em países desenvolvidos, famílias gastam bem menos com saúde. Pela ótica do consumo, o PIB da saúde foi de R$ 224,5 bilhões em 2007. Só as famílias gastaram R$ 128,8 bilhões naquele ano, enquanto as despesas da administração pública chegaram a R$ 93,3 bilhões.
Das despesas totais com saúde em 2007, 57,4% delas saíram do bolso dos consumidores brasileiros; enquanto a administração pública arcou com 41,6% dos gastos totais no período. Não bastasse tomar muito remédio, os brasileiros gastam 9,5 vezes mais com medicamentos do que o governo. Enquanto os gastos das famílias somaram R$ 44,7 bilhões em 2007, os da administração pública com remédios foi de apenas R$ 4,7 bilhões no mesmo período. Epa! Tem alguma coisa errada aí porque a Constituição Brasileira determina que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Então, por que o brasileiro gasta tanto com saúde?
A pesquisadora e médica do Laboratório de Economia da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lígia Bahia, acha preocupante esse gasto, sobretudo, para um país com “uma dívida sanitária tão grande“. Segundo ela, o Brasil está indo na contramão das reformas da saúde. Até os Estados Unidos querem mudar o perfil de gastos, aumentos das despesas do governo e reduzir os gastos das famílias com a proposta do presidente Barack Obama de reforma do sistema de saúde americano. Para a pesquisadora os gastos com saúde no Brasil têm viés recessivo.
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Publicado por Conceicao Costa










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