Luxo faz aumentar o egoísmo
O luxo induz, e muito, a indiferença quanto ao bem-estar dos outros. As pessoas quando rodeadas de luxo tendem a focar suas decisões naquilo que é melhor para elas e para suas empresas. É por isso que os banqueiros continuam planejando bônus astronômicos para si próprios. Um exemplo claro disso, foi o modo de agir de alguns executivos antes e durante a crise financeira mundial. “Houve um número grande de pessoas que viviam e conviviam com o luxo e que, ao perceber os sinais de magnitude da crise, tomaram decisões egoístas – a despeito do sofrimento que poderiam causar aos outros.” Esses tipos de comportamento e mentalidade egoístas de alguns executivos são explicados num estudo do professor assistente de Liderança e Comportamento Organizacional da Harvard Business School (EUA), Roy Chua sobre as diferenças de liderança e gestão no ambiente empresarial dos Estados Unidos e da China. Ele percebeu que uma reunião feita numa sala modesta pode levar a conclusões distintas daquelas a que o mesmo grupo de pessoas chegaria se estivesse rodeado de telões de plasma e pisando em mármore. A entrevista de Roy Chua foi dada à revista Época desta semana.
A relação entre produtos que simbolizam o luxo e as atitudes egoístas pode ser comprovada pelo mero contato com artigos de luxo. Quem convive com carros esportivos, relógios caros e roupas de grife toma mais decisões em interesse próprio. O estudo também comprovou que trabalhar em um ambiente rodeado por esses objetos mexe com a cognição. Perguntado sobre qual o método utilizado no estudo para chegar a essa conclusão, o professor disse que foram entrevistados quase 800 estudantes universitários, divididos em dois grupos. Na primeira experiência, foram exibidos para um grupo fotos e vídeos de produtos luxuosos como relógios Cartier, sapatos Ferragamo, carros superesportivos. Em outro grupo, os pesquisadores exibiram apenas imagens de produtos baratos e de segunda mão.
Foi dado aos dois grupos um questionário com decisões que deveriam tomar. Foi aí que o professor Chua, Ph.D em Gestão pela Columbia Business School (EUA), que as pessoas no grupo exposto a imagens luxuosas tomavam mais decisões em seu interesse próprio. O professor ainda não sabe qual é o mecanismo que faz o luxo aumentar o egoísmo. “Há vários mecanismos envolvidos. A exposição a bens luxuosos pode ativar uma “norma social” que obriga a pessoa a perseguir seus interesses – pessoais, profissionais, ou ambos – acima de tudo. Mesmo que isso tenha de ser feito à custa de outras pessoas. É provável que essa norma social afete o julgamento e a tomada de decisão dessas pessoas. Além disso, é bem provável que a exposição ao luxo ative e aumente o desejo, fazendo com que elas priorizem seus lucros, e não sua responsabilidade social.” Para o professor Chua, para que os executivos se comportem de forma mais responsável talvez seja limitar os excessos e luxos corporativos.
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Publicado por Conceicao Costa







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