Leishmaniose, doença da pobreza
A leishmaniose é uma doença típica da falta de saneamento básico e de vacinação. Pesquisa realizada pelo Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que os pretos e os pardos são a maioria absoluta das mortes por malária (60,6%), por hanseniáse (58,3%), por leishmaniose (58,1%), por equistossomose (55,5%) e por diarreia (50%). É uma doença zoonose, isto é, dos animais (cães, roedores e o próprio homem) que pode se transmitir ao homem.
A transmissão se dá através de pequenos mosquitos (cujos nomes variam de acordo com a área geográfica, tais como mosquito de palha, tatuquira, asa branca, canjalinha, asa dura, palhinha ou birigui) que se alimentam de sangue. Mosqueteiros ou telas não protegem as pessoas dos mosquitos que, por serem muito pequenos, conseguem ultrapassá-los. Os insetos machos se nutrem com seiva vegetal; já as fêmeas necessitam de sangue para o amadurecimento dos ovos, por isso só elas podem transmitir a leishmaniose.
Segundo os médicos, a doença pode se manifestar de duas formas: leishmaniose tegumentar ou cutânea (desfigurante) e leishmaniose visceral ou calazar (fatal). A tegumentar ou cutânea (foto) é caracterizada por lesões na pele, podendo afetar nariz, boca e garganta. A visceral ou calazar é uma doença sistêmica, pois afeta vários órgãos como o fígado, baço e medula óssea. O tempo da picadura do inseto até o surgimento dos sintomas pode variar de dias a meses. Na forma visceral varia de seis semanas a seis meses; na forma cutânea, as lesões surgem semanas após a inoculação do parasita.
Os sintomas no caso da tegumentar surge uma pequena elevação avermelhada na pele que vai aumentando até se tornar uma ferida que pode estar recoberta por crosta ou reação purulenta. Pode se dar também através de lesões inflamatórias no nariz ou na boca. Já na visceral os sintomas são febre irregular, anemia, indisposição, palidez da pele, perda de peso, inchaço abdominal devido ao aumento do fígado e do baço. A prevenção da doença é evitar residir ou permanecer em áreas muito próximas à mata, evitar banhos em rios perto da mata, usar repelentes, manter limpos os quintais da casa sem lixo acumulado e evitar o acúmulo de folhas nos quintais. O tratamento é a medicação e o acompanhamento médico.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a leishmaniose uma das seis mais importantes endemias do mundo. Ocorre nas Américas, Europa (Mediterrâneo), Oriente Médio, África e Ásia. No Brasil está presente na região Norte, Nordeste e Sudeste.
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Publicado por Conceicao Costa







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