Injeção e exercícios aumentam a mobilidade de tetraplégicos
A mobilidade e qualidade de vida de pessoas tetraplégicas podem melhorar muito com injeções e exercícios específicos. É o que mostra o estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Departamento de Neurociência da Universidade de Cambridge, localizada no Reino Unido, chefiados pelo cientista James Fawcett. Segundo o experimento, que foi publicado neste fim de semana na revista científica Nature, roedores com lesões severas de medula espinhal recuperaram boa parte de sua capacidade de movimentos após serem submetidos a injeções de determinadas proteínas na medula espinhal, seguidas de seqüências específicas de exercícios.
A substância injetada é conhecida como condroitina, uma enzima super comum em suplementos vitamínicos utilizados por atletas para ajudar na reconstrução de cartilagem e para proteger a integridade estrutural das articulações e do tecido conexivo. Também é muito utilizada em tratamentos de osteoartrite. Nos testes realizados pela equipe de Fawcett, ela possibilitou grandes crescimento das fibras nervosas. Combinada ao treino específico da pata dianteira dos roedores, esta injeção duplicou as possibilidades de sucesso dos exercícios concretos, gerando maior plasticidade.
Pessoas com mobilidade reduzida ou nula nos braços e pernas em decorrência de lesões severas na medula espinhal não dispõem atualmente de nenhum tratamento que as ajude a recuperar ao menos parte das funções de seus membros. Tentativas tem sido feitas com células tronco e até com toxina botulínica, o famoso Botox, que tem sido utilizado devido ao efeito de relaxamento da contratura muscular quanto se trabalhar a força da musculatura oposta potencializando o movimento articular do quadril, joelho ou tornozelo.
Só a título de curiosidade – o Brasil apresenta um dos maiores índices mundiais de acidentes graves de coluna vertebral. Estima-se que quase 8 mil pessoas ficam tetraplégicas anualmente no país, a maior parte devido a acidentes de trânsito. Além de comprometer a mobilidade e a “comunicação” entre o encéfalo e o resto do corpo, a lesão espinal também reduz ou até anula a sensibilidade táctil.
**Imagem: Vjeran Lisjak
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Publicado por Angela Arraya







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