Estresse coloca pessoas no ‘piloto automático’, aponta estudo

Você chega no elevador do prédio e automaticamente aperta o botão do seu andar. Vai para o trabalho e nem presta atenção no caminho. Se na sua rotina você faz várias coisas no ‘piloto automático’ isso pode ser uma resposta perigosa do seu cérebro ao estresse.
Uma pesquisa realizada com ratos de laboratório mostrou que eles não conseguiam sair da rotina, quando estavam estressados. O estudo foi realizado no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e publicado na revista Science.
O estudo aponta que quando fazemos algo pela primeira vez - como dirigir para o trabalho ou apertar o botão do elevador, quando acabamos de nos mudar – precisamos pensar sobre o ato. Já com o hábito, fazemos essas coisas naturalmente. A rotina, assim, acaba poupando nosso cérebro, já sobrecarregado.
Talvez, esse sistema explique porque mesmo com enormes congestionamentos, as pessoas que vivem em grandes cidades continuem fazendo os mesmos trajetos. O trânsito lento causa estresse e as pessoas, sem pensar, deixam de tentar caminhos alternativos, realimentando o estresse.
No experimento, os pesquisadores passaram 21 dias estressando um grupo de ratos machos. Diariamente, cada um era colocado na gaiola de outro macho, com ele lá dentro. Antes disso, a fêmea do rato ‘residente’ havia sido retirada de lá.
Assim, o rato morador da gaiola era agressivo, enquanto o novato, em território estranho, ficava com medo e, em poucos minutos, estava tenso e submisso. Os animais também eram forçados a nadar, para misturar componentes psicológicos e fÃsicos do estresse.
Após isso, o grupo de animais estressados e um outro grupo de ratos calmos foram condicionados para apertar uma alavanca em troca de comida. Depois que aprenderam, os pesquisadores passaram a fornecer comida aleatoriamente.
Mas os ratos estressados – e só eles – seguiam apertando a alavanca insistentemente. Ao mesmo tempo, os cientistas observaram o cérebro dos ratos através de fMRI (Imageamento por Ressonância Magnética Funcional, em inglês).
Com isso, descobriram que o estresse expande uma área neural, em detrimento de outras, relacionada ao comportamento rotineiro e automático – o estriado dorsolateral. E como o funcionamento em humanos é similar, o procedimento pode explicar a dificuldade das pessoas estressadas em saÃrem de suas rotinas.
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Publicado por Carmem Moraes







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