Esquizofrenia: tragédia com cartunista é alerta para famílias que têm portadores da doença
Para o psiquiatra infanto-juvenil e professor da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Fabio Barbirato, o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas e de seu filho Raoni, ambos mortos por um jovem de 24 anos, é um alerta para milhares de famílias que têm entre seus membros portadores de esquizofrenia. Em entrevista à imprensa, o pai do assassino alegou que ele foi vítima de um surto psicótico e que estaria desenvolvendo esquizofrenia “da mesma forma, inclusive na mesma idade, que a mãe dele”. Estudos recentes dedicados ao tema apontam que 30% dos adultos portadores de esquizofrenia tiveram os primeiros sintomas na adolescência e 5% já na infância.
De acordo com o psiquiatra, o Brasil está a frente de países como Inglaterra, Irlanda e Alemanha, em ocorrência de transtornos psiquiátricos em menores de idade. “Nosso país tem 1,8 milhão de portadores de doenças mentais e novos 50 mil casos são diagnosticados anualmente”. A esquizofrenia é uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização ampla dos processos mentais. A pessoa perde o sentido da realidade ficando incapaz de distinguir a experiência real da imaginária. Os sintomas da doença podem variar de paciente para paciente sendo uma combinação de diferentes graus dos sintomas: delírios, alucinações, discurso e pensamento desorganizados, dificuldade de demonstrar emoções que está sentindo e alterações de comportamento.
Segundo o psiquiatra a herança genética é uma das causas mais determinantes no desenvolvimento da esquizofrenia: em cerca de 80% dos casos, há também a incidência da doença em pais e irmãos. Os primeiros sinais aparecem quando a criança atinge os 14 anos de idade. “As escolas têm um papel fundamental na identificação de possíveis casos, pois é neste ambiente que os sintomas ficam mais aparentes”, diz. Para o especialista, no caso do assassinato do cartunista, houve o agravante do uso de maconha. Segundo estudo do Instituto Nacional para o Abuso de Drogas (Nida) dos Estados Unidos, o uso contínuo e abusivo da maconha pode levar a um quadro esquizofrênico ou ao agravamento da deonça. O psiquiatra conclui dizendo que esconder as doenças debaixo do tapete, definitivamente, não é a melhor solução. “Se não há dúvida que Glauco e Raoni foram vítimas de Carlos Eduardo, o assassino, incontestavelmente, foi vítima de um sistema social e educacional preconceituosos no trato com pacientes psiquiátricos“.
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Publicado por Conceicao Costa







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