Diagnóstico molecular em 30 minutos
Até o final deste ano, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, órgão do Ministério da Saúde, vai apresentar o protótipo, incluindo sua automação, de um novo sistema de diagnóstico celular, batizado microarranjo líquido. O projeto é fruto de uma iniciativa do governo brasileiro de nacionalização de insumos e testes para diagnóstico com base em plataformas de vanguarda. O novo sistema de diagnóstico celular será capaz de avaliar, simultaneamente, até 100 indivíduos, diagnosticar até 100 doenças e gerar resultados em cerca de 30 minutos.
Para atingir esse objetivo, cinco de instituições de pesquisa e desenvolvimento se uniram para nacionalizar a produção de testes para diagnóstico e também para investir no desenvolvimento de novos produtos com base em plataformas de vanguarda. São elas: Instituto de Tecnologia em Imubiológico (Biomanguinhos/Fiocruz), a Fundação Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e o Instituto de Biologia Moldecular do Paraná (IBMP).
De acordo com informações do pesquisador Marco Krieger, do ICC e do IBMP, no microarranjo cada tipo de microesfera tem uma cor específica e pode ser revestido com proteínas (ou material genético) de um determinado patógeno (vírus ou microorganismos causadores de doenças). Dessa forma, como há 100 tipos de microesferas (de 100 cores distintas), o sistema pode testar até 100 patógenos diferentes de uma só vez – cada tipo (ou cor) de microesfera corresponde a um determinado patógeno. Em cada poço de placa, as microesferas se misturam com o soro de um indivíduo diferente – como há 100 poços por placa, até 100 pessoas podem ser testadas por vez.
Se um indivíduo for infectado por um ou mais patógenos, seu soro apresenta anticorpos contra tais patógenos. Os anticorpos, então, reconhecem e se ligam às proteínas dos patógenos encontrados na superfície das respectivas microesferas, formando complexos anticorpo+microesfera. Em seguida, uma terceira classe de molécula é adicionada ao poço cuja função é reconhecer e se ligar aos complexos anticorpo+microesfera – a ligação desta terceira molécula caracteriza uma microesfera como positiva.
Por fim, todas as microesferas de cada poço são analisadas por um equipamento que emite dois tipos de raio laser: o primeiro identifica o tipo (ou a cor) da microesfera,enquanto o segundo verifica se ela é positiva (contém o anticorpo; portanto, houve rejeição) ou negativa (não contémo anticorpo; não houve infecção). Uma quantidade significativa de microesferas positivas de um ou mais tipos num poço significa que aquele indivíduo foi infectado pelos patógenes correspondentes. No momento, segundo Marco Krieger, os pesquisadores estão estudando o uso do microarranjo líquido para o desenvolvimento de multitestes diagnósticos para programas do Ministério da Saúde. Estão previstos para o próximo ano, os estudos piloto e multicêntrico necessários à validação e ao registro do produto junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Publicado por Conceicao Costa







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