Diabético: limitações causam emoções negativas

O diabetes Mellitus é uma doença que exige do paciente disciplina, determinação e consciência de sua condição de diabético. Um dos maiores problemas enfrentados pelos médicos é a baixa adesão desse paciente ao tratamento que exige mudança radical nos hábitos de vida.
De acordo com a psicóloga e mestre em Ciências Médicas, Denise Siqueira Péres, são inúmeros os sentimentos negativos que esses pacientes têm, e que dificultam o seguimento do tratamento, como rejeição e negação da condição de doente, sofrimento e revolta (devido à s limitações impostas pela alimentação), ter que praticar atividade fÃsica e tomar medicamentos diabéticos
É difÃcil aceitar a doença. Já no diagnóstico a pessoa leva um grande choque emocional , pois não está preparada para conviver com as limitações decorrentes do diabetes crônico. “A vivência do diabetes interfere na vida familiar e comunitária do doente; ter que mudar hábitos de vida que já estão consolidados e assumir uma disciplina do planejamento alimentar, da incorporação da atividade fÃsica e uso permanente e constante de medicamentos impõem a necessidade de o paciente entrar em contato com sentimentos, desejos, atitudes e crenças. A modificação do estilo de vida não se dá magicamente, mas no decorrer do percurso que envolve repensar o projeto de vida e reavaliar expectativas de futuro“, diz a psicóloga.
Daà vêm os sentimentos negativos de “raiva do mundo”, dificuldades de raciocÃnio, mal-estar psicológico, preocupação, ansiedade, sentimento de desânimo, privação do prazer, suscetibilidade à crÃtica do outro e negação da doença quando esse paciente tem que se impor um controle alimentar rigoroso. “A transgressão e o desejo alimentar estão sempre presentes na vida do paciente diabético. O desejo de comer o que não pode faz sofrer, salivar, esquecer, mentir, transgredir, negar, admitir, sentir prazer, controlar e sentir culpa”, diz Denise Siqueira Péres.
Quanto ao uso de medicamentos, a maioria tem dúvidas com relação a forma correta de usá-los, seja por “recusa” ou alegando “esquecimento”. Isso acontece, segundo a psicóloga, porque o paciente sente “ódio”, “pavor” e “mau humor” em usar insulina diariamente porque ela é vista como uma agressão ao corpo: provoca dependência, perda de controle de si mesmo, impõe limites no trabalho e no lazer, trás preocupação na precisão das doses, provoca discriminações, é chato e desconfortável.
Outra dificuldade que o diabético tem é na hora de fazer atividades fÃsicas. A psicóloga diz que ele sempre tem várias desculpas para não fazê-las: dores nas pernas, viagens e trabalho são algumas delas. Essas constatações fizeram parte de um estudo para identificar as dificuldades dos diabéticos em relaçao ao tratamento para controle da doença. 24 diabéticos foram acompanhados pela psicóloga no Centro Educativo de Enfermagem para Adultos e Crianças, de Ribeirão Preto, São Paulo.
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Publicado por Conceicao Costa












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