Crise entre médico e paciente
A web está provocando uma crise na relação entre médico e paciente. É que cada vez mais pessoas buscam na rede informações sobre a sua saúde – e sobre uma eventual doença. Essa busca por informações está deixando para trás aquela máxima de que o médico era um Deus e os pacientes não sabiam nada. “O paciente especialista é aquele que procura se informar, cada vez mais, sobre sua enfermidade na internet, onde existe uma infinidade de dados diasponÃveis. E isso é muito positivo. Ele só não pode confundir informação com conhecimento, já que esse é exclusivo dos médicos”, diz a médica Helena Beatriz Garbin, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz.
Helena e outros dois pesquisadores da Fiocruz -André Pereira Neto e Maria Cristina Rodrigues Guilam – realizaram a pesquisa “Impactos da Internet na Relação Entre Médicos e Pacientes” que foi publicada na revista cientÃfica “Interface”. O trabalho – feito a partir da revisão de 15 estudos sobre a chamada desprofissionalização da prática médica – concluiu que o paciente especialista pode abalar o tradicional conceito de autoridade, naturalmente concentrado nas mãos dos médicos. “Esse paciente é menos passivo e pode até questionar as recomendações médicas. Cabe ao médico aceitar essa postura mais ativa dos pacientes, que parece irreversÃvel, e aprender a lidar com ela”, explica a pesquisadora.O pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da ENSP e coordenador da pesquisa, André Pereira, afirma que o médico do século 21 vai ter que estar preparado para responder a perguntas e demandas trazidas por seu paciente bem informado. “A relação terá que ser mais persuasiva do que autoritária. Vejo isso como uma democratização e uma reinvenção da prática médica”, diz André. Ele ressalta, porém, que um paciente, por mais bem informado que esteja, não vai saber mais do que o médico.
Na pesquisa, esse paciente é apresentado como “o resultado da melhoria do nÃvel educacional das populações e do maior acesso à s informações técnico-cientÃficas das pessoas”. “Esse diálogo é extremamente benéfico porque faz com que o paciente esteja, ao menos em tese, mais apto a entender e aceitar as recomendações médicas munido com informações que antes não estavam disponÃveis; o paciente vai entender melhor porque tem que tomar determinado remédio, evitar tal alimento e fazer exames, por exemplo”, explica o pesquisador.
Ainda não existe, de acordo com a pesquisadora Helena Beatriz, um perfil definido do paciente especialista no Brasil, mas no exterior, a maior parte dos casos é de mulheres, seguidas por jovens e idosos. Segundo o estudo, entre os aspectos positivos do surgimento do paciente especialista está o contato com temas ligados a doenças que causam medo, como o câncer e a AIDS. Já o aspecto negativo apontado pela pesquisa é que o acesso livre à informação cientÃfica pode levar, em muitos casos, a automedicação.
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Publicado por Conceicao Costa







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[...] vezes a operação não era necessária, mas os médicos as realizavam somente para lucrar com a remessa da peça (espirais de platina) que custa R$ 3 mil. [...]
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