Copa do Mundo-2010: população africana usa “remédios” feitos por sangomas
O governo da África do Sul, país sede da Copa do Mundo de 2010, reconhece os sangomas, curandeiros, como profissionais de saúde. Em praticamente todas as culturas tribais africanas praticam-se tradições espirituais ancestrais. Os antepassados de uma tribo são honrados como espíritos que preservam os padrões morais da vida tribal. De acordo com o livro “Desonra“, do sul-africano J.M.Coetezee, a África do Sul, país rico em ouro e diamantes, não aceita as regras internacionais de prevenção e combate à Aids. Por isso, a proliferação da doença naquele país já deixou 10 milhões de órfãos. 60 mil bebês nascem com Aids todos os anos. Em uma população de 46 milhões, há 6 milhões de soropositivos. 250 mil morrem todos os anos.
Para o escritor, o atraso cultural, as crendices, o misticismo e a impunidade colocam o país sul-africano em tão degradante situação. Coetezee conta em seu livro que as mães não se tratam e com isso os bebês nascem contaminados, e também não são tratados. A poligamia (muito comum) sem uso de preservativos, os números crescentes de estupros sem punição (segundo a ONU, 480 por dia), a crença de que o soropositivo se cura tendo relação sexual com crianças, a opção sexual por virgens porque ainda não estão contaminadas, tudo isso faz da África do Sul o segundo país do mundo (o primeiro é a Índia) em casos de Aids.
O curandeirismo é uma barreira para que os pacientes soropositivos procurem tratamento convencional. Entre a população negra da África do Sul, existe a crença arraigada de que os “remédios” oferecidos pelos curandeiros são eficazes. Até a ministra da Saúde, Manto Tshabalala-Msimang, em 2007, declarou que uma dieta rica em alho, batata-doce e cebola pode substituir o coquetel de medicamentos (comprovado mundialmente) de combate à Aids. Um político acusado de abuso sexual de uma mulher declarou, durante o julgamento, não temer o sexo desprotegido porque a “ducha”, após a relação sexual sem preservativo, é suficiente para não adoecer. Em 2006, a mesma ministra deu apoio ao medicamento tradicional chamado ubhejane – uma mistura de 89 ervas, oriundas de locais distantes como a República Democrática do Congo, que acreditam tratar HIV/Sida.
O ubhejane é um líquido castanho-escuro vendido em embalagens velhas de plástico. O frasco com tampa azul é para tornar a carga viral indetectável e o de tampa branca é para reforçar o sistema imunológico. Existem agentes de saúde na África do Sul que dizem ser capazes de curar uma pessoa com Aids e chegam até a fazer anúncios em emissoras de rádios oferecendo remédios milagrosos. Uma vendedora de produtos da medicina tradicional sul-africana recomendou à seleção de futebol de seu país passar óleo de leão nos jogadores para que eles tenham sucesso. Imagina se o Dunga está se importando com isso!
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Publicado por Conceicao Costa







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