Copa do Mundo-2010: na África 155 milhões de pessoas não têm acesso a água potável
A África é o pior continente do mundo no que diz respeito à disponibilidade de água potável: carecem dela 45% da população e 61% não têm acesso a sistemas de saneamento adequados. Novo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informam que mais de 155 milhões de pessoas, ou 39% da população da África Ocidental e Central, não têm acesso a água potável. Passados dez anos desde as metas de Desenvolvimento do Milênio (MDG) que a ONU aprovou para melhorar a vida dos mais pobres do planeta, 884 milhões de pessoas sobrevivem sem acesso a água potável, e 2,6 bilhões não dispõem de saneamento básico nos locais onde vivem. Faltando cinco anos para 2015, prazo estabelecido para as metas, o mundo está em risco, de acordo com especialistas, de não cumprir as metas nas áreas de água potável e saneamento básico. Para que isso aconteça, é necessário que os governos tomem medidas drásticas e aumentem os investimentos. Segundo a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, doutora Maria Neira, é preciso vontade política para mudar essa situação.
Particularmente a África Ocidental e Central continuam sendo uma preocupação para a organização. Apenas oito dos 24 países da região estão prestes a atingir os objetivos no que se refere ao fornecimento de água: Benin, Burkina Faso, Camarões, Cabo Verde, Gabão, Gana, Guiné e Mali. Seis países têm menos de 50% de cobertura de água potável: Chade, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Níger, Mauritânia e Serra Leoa. Também é motivo de preocupação o fato de 291 milhões de pessoas na África Ocidental e Central não terem acesso a nenhum serviço sanitário. Segundo dados, a região tem maior taxa de mortalidade infantil de todas as regiões em desenvolvimento, com 169 crianças mortas em 1.000 nascimentos.
Em Moçambique, a falta de acesso e abastecimento de água e saneamento é um dos fatores, segundo a doutora Maria Nuir, que mais contribui para a elevada prevalência de doenças diarreicas em crianças. “É preciso mobilizar mais uma vez o interesse político, fazer ver que a água e o saneamento são um direito humano básico ao qual não se pode renunciar. É preciso também aumentar os investimentos financeiros e envolver as comunidades locais. Elas têm de associar água e saneamento à saúde. Muitas vezes não se trata de um problema de abastecimento, mas sim de gestão e distribuição de recursos”, diz a médica.
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Publicado por Conceicao Costa







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