Contaminação generalizada

É o que diz pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Biomédicas da Universidade Gama Filho (UGF). Segundo o professor titular de Microbiologia da UFG e UFF, João Carlos Tortora, as areias e os brinquedos de praças públicas e as areias das praias cariocas estão com alto nível de contaminação com bactérias, fungos e parasitas intenstinas (helmintos e protozoários). Enquanto o padrão recomenda até 400 coliformes fecais e 1000 fungos em 50 gramas de areia, os resultados de análises feitas no mês de junho (período de inverno no Brasil) mostraram muito mais.
Nas areias do Leblon, por exemplo, o nível de coliformes fecais (que indica contaminação por esgoto) era de 5000 por 100 gramas de areia – o limite aceitável é de 400 coliformes por 100 gramas. Na Praia do Leme, a situação é ainda mais assustadora, segundo a pesquisa: 88.000 coliformes por 100 gramas de areia. Nas areias de Copacabana, a princezinha do mar, foram encontrados ovos do bicho-geográfico (Ancylostoma spp) em 29% das amostras, e de solitária (Taenia spp) em 54%. Na Barra da Tijuca, 93% das amostras apontaram presença de Ascaris (lombriga), enquanto a Taenia (solítária) foi identificada em 62%. “As pessoas só se preocupam com a qualidade da água nas praias. Mas, dependendo do lugar, elas podem correr mais riscos na areia do que na água“, diz o pesquisador da UFG e da UFF.
Resultado preliminar de estudo da Fiocruz também mostra altos índices de coliformes, fungos e outros parasitas nas areias da Ilha do Governador e de Paquetá. Na Praia da Bica, por exemplo, ficar com o biquini molhado representa risco de candidíase (doença causada por fungos que pode afetar a pele quanto membranas mucosas). De acordo com João Carlos Tortora, o grande alvo dessas contaminações são as crianças, pois elas têm hábitos de higiene precários e muitas vezes não têm imunidade bem desenvolvida.
Para crescerem, os microorganismos, que infestam as praias cariocas, precisam de ambiente úmido, longe do sol e de altas temperaturas. A forma mais eficiente de combatê-los é revirar a areia. Com a aeração do ambiente e da exposição ao sol, os microorganismos não sobrevivem. Esse trabalho é feito diariamente nas praias do Rio pela Comlurb . Mas, como persistem as línguas negras, o despejo de esgoto, os cachorros nas praias e o lixo jogado no chão, a imundície continua ameaçando a saúde dos banhistas. Durante o verão são recolhidos 2.600 toneladas de lixo por mês nas praias cariocas.
Invisíveis a olho nu, os micróbios estão por toda a parte. As cinco moradias prediletas desses bichinhos são: telefones públicos, nota de 1 real (a cédula de R$1 é a mais contaminada de todas as notas porque é a que mais circula nas mãos dos brasileiros), teclado de computador, latinhas de refrigerantes e cervejas e talheres de restaurantes. Os estafilococos – bactérias que provocam acne, furúnculos, otite (no caso de contato direto com o ouvido), sinusite e terçol; Os coliformes fecais e/ou enterecocos -causam doenças intestinais em geral; os fungos desencadeiam doenças respiratórias (especialmente de fundo alérgico), micoses de pele e as salmonelas, que foram encontradas apenas nas latinhas de refrigerante e cerveja, são muito perigosas e podem causar doenças intestinais.
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Publicado por Conceicao Costa







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