Cérebro humano aprecia a igualdade entre as pessoas
De acordo com um texto sobre “RaÃzes e caracterÃsticas das desigualdades no Brasil” da revista Pangea, a História da humanidade é marcada pelo fenômeno das desigualdades. Na atualidade, as desigualdades sociais ocorrem tanto nos paÃses ricos como nos paÃses pobres. Nos primeiros, temos uma espécie de oceano de prosperidade com algumas ilhas de exclusão social. Já nos paÃses pobres, temos vastos oceanos de pobreza pontilhados de pequenas ilhas de prosperidade. Especialmente nas últimas duas décadas, tanto nas sociedades mais ricas (de forma cada vez mais perceptÃvel), quanto nas mais pobres, está se ampliando o fosso que separa os “incluÃdos” dos “excluÃdos“.
A tendência à concentração de renda que leva à s desigualdades e exclusões sociais não tem, segundo um estudo publicado pela revista “Nature“, cumplicidade de nosso cérebro. Cientistas do Instituto Californiano de Tecnologia (Caltech) e do Trinity College, de Dublin, comprovaram, através de imagens de ressonância magnética, que o cérebro humano aprecia a igualdade. A pesquisa comprova que o centro de recompensa existente no órgão responde mais fortemente quando vemos uma pessoa pobre receber algum benefÃcio do que quando o mesmo ocorre com um rico. A conclusão é a mesma até na análise do cérebro de endinheirados.
Quarenta voluntários foram divididos em duplas. Um deles começava a pesquisa com US$ 50; o outro, sem dinheiro. A partir daÃ, eles foram expostos a diversos cenários, e a resposta do centro de recompensa do cérebro foi registrada por ressonância magnética. O cérebro do pobre reagia fortemente a situações em que ganhava dinheiro. Quase não respondia aos quadros em que outras pessoas enriquecem. Já o cérebro do rico respondia mais fortemente quando um pobre era beneficiado do que em situações onde ele mesmo era recompensado. “A aversão à desigualdade não é regra social ou fruto de uma convenção. Há realmente algo a ser considerado no processamento de recompensas em nosso cérebro“, diz o professor de psicologia da Caltech, John O’Doherty.
De acordo com a pesquisa, os cérebros dos ricos achavam melhor ver os outros enriquecendo. O professor de Economia Comportamental da Caltech e um dos autores do artigo, Colin Camerer, disse que é provável que as reações dos participantes ricos tenham sido parcialmente motivadas por interesse próprio: ou a redução de seu desconforto. “Pensamos que, para as pessoas ricas do inÃcio da pesquisa, ver os outros ganhando dinheiro reduz sua culpa por serem mais afortunados”, diz. A próxima meta da pesquisa é saber se os mecanismos cerebrais dão aval para mudanças de comportamento em um contexto de desigualdade.
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Publicado por Conceicao Costa







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