Brasileiros se alimentam mal e fazem pouco exercício
Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde aponta que os brasileiros estão consumindo mais alimentos gordurosos e praticando poucas atividades físicas.
As frutas e hortaliças estão presentes no prato de apenas 30,4% dos brasileiros cinco ou mais vezes na semana e só 18,9% consomem cinco porções diárias – o equivalente as 400 gramas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.
Os dados integram levantamento realizado todo ano pelo Ministério da Saúde, o Vigitel. Foram entrevistadas 54.367 entre os dias 12 de janeiro e 22 de dezembro de 2009. A pesquisa foi apresentada durante a comemoração do Dia Mundial de Saúde, nesta semana.
“A alimentação adequada e a prática regular de exercício ajudam a prevenir doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e câncer”, ressaltou o ministro José Gomes Temporão.
De acordo com uma das responsáveis pela pesquisa, Deborah Malta, os dados demonstram o impacto das mudanças no padrão alimentar do brasileiro – que acompanha tendência mundial de maior consumo de alimentos gordurosos – e, ao mesmo tempo, a preocupação de uma parcela da população em reverter esse quadro.
“Tem reduzido o percentual de pessoas que almoçam em casa ou preparam sua refeição, e assim as pessoas acabam optando por alimentos mais práticos e, geralmente, mais gordurosos, como os pré-cozidos, enlatados ou mesmo os fast-foods”, afirmou Deborah.
Outro ponto da pesquisa em relação ao no hábito alimentar do brasileiro é proporção de 33% que se alimenta de carnes vermelhas gordurosas ou pele de frango. Torna-se importante a conscientização, tanto em relação ao consumo de vegetais quanto à escolha de carnes mais leves.
O levantamento demonstra também que refrigerantes e sucos artificiais (aqueles em pó dissolvidos em água) participam ativamente da dieta do brasileiro.
Ao todo, 76% dos adultos bebem esses produtos pelo menos uma vez na semana e 27,9%, cinco vezes ou mais na semana. O consumo regular, quase todo dia, aumentou 13,4% em um ano. Em 2008, 24,6% da população bebia refrigerantes cinco ou mais vezes na semana.
Entre os mais jovens, de 18 a 24 anos, o índice é ainda maior, 42,1% bebem refrigerantes quase todos os dias. Além disso, as versões light ou diet do produto não são tão requisitadas. Só 15% da população adulta optam por eles.
Já o consumo de feijão, tão comum na culinária brasileira, está caindo. Esse alimento, que é rico em fibra e ferro, em 2009, fez parte do cardápio de 65,8% dos adultos cinco ou mais vezes na semana. Em 2006, o índice era 71,9%, o que representa uma queda de 8,4% em três anos.
Sedentarismo
“Hoje observamos um predomínio de alimentos com alto teor de gordura e açúcar na dieta do brasileirão, e isso não é compensado com aumento de atividades físicas, apenas 14,7% praticam atividade física na forma recomendada”, alerta Deborah Malta.
Os dados da pesquisa confirmam essa realidade. Apenas 14,7% dos adultos fazem exercícios físicos no tempo livre com a regularidade necessária – 30 minutos diários, cinco vezes por semana. Considerando aqueles que se deslocam para o trabalho ou para escola a pé ou de bicicleta, o índice sobe para 30,8%.
O estudo demonstra ainda aumento do número de sedentários no país, que hoje representam 16,4% da população, ou seja, pessoas que não fazem nenhuma atividade física no tempo livre, no deslocamento, na limpeza da casa ou outros trabalhos pesados.
Nos períodos de descanso, é a televisão que distrai o brasileiro. A pesquisa mostrou que 25,8% dos adultos passam três ou mais horas em frente à TV e isso acontece cinco vezes ou mais na semana. “Isso demonstra que as pessoas optam cada vez mais por um lazer passivo ao invés de praticar esportes ou outras atividades físicas”, afirma Deborah Malta.
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Publicado por Carmem Moraes







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