Bactérias em esgotos de hospitais
Estudo inédito no Brasil coordenado pelo pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz Dalton Msrcondes Silva e realizado em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (ICC) encontrou bactérias resistentes a antibióticos em esgoto de hospitais. O projeto – intitulado “Eficiência de uma estação de tratamento de esgoto hospitalar por processo anaeróbico na remoção de vírus da hepatite A, enterobactérias e resistência a antobióticos – foi publicado na revista Letters in Applied Microbiology e premiado no 24 Congresso da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
A pesquisa alerta para os cuidados no tratamento dos efluentes hospitalares provocados pelo próprio setor de saúde, e a dificuldade orçamentária para utilizar modelos que eliminem completamente esses patógenes (vírus ou microorganismos causadores de doenças). De acordo com o pesquisador Dalton Marcondes, o resultado mais interessante nesse estudo foi com relação às bactérias. “Encontramos a Klebsiella pneumoniase – uma bactéria que produz gen de resistência a antibióticos – nos efluentes e no lodo de hospitais. Fizemos os testes e ela apresentou resistência a dois ou mais antibióticos. Isso significa que se essa bactperia encontrar no meio ambiente algum ser que possa contraí-la, ele terá muita dificuldade no tratamento. Foi a primeira vez que o Brasil realizou estudos de resistência a antibióticos em bactérias hospitalares de efluentes hospitalares. O noss oresultado foi compatível com os de outros países”.
O estudo reforça a necessidade de um cuidado maior com os esgotos hospitalares. “É importante sabermos o que contém esses resíduos, quais são as soluções para tratá-los e a segurança com sua aplicabilidade. A biossegurança é um fator importante”, ressalta o pesquisador.
Segundo ele, o atual modelo de desinfecção ainda não elimina um número considerável de bactérias e vírus. “Isso mostra que se for desejada a eliminação completa do problema, o tratamento atual, aprovado inclusive pelas autoridades do Rio de Janeiro, é ineficiente. Mas isso nos coloca diante de um desafio tecnológico. A tecnologia usada atualmente por todos os hospitais é a de cloração simples. Para alcançarmos um bom nível de desinfecção é preciso um tratamento fisico-químico antes da cloração, o que impõ custos maiores ao tratamento. Eliminar organismos nas estaçõpes de tratamento de esgoto é um desafio para o mundo todo. Existem técnicas de pasteurização, tratamento terciário seguido de cloração, mas são caros. A peasteurização, por exemplo, é um sistema muito oneroso. Nele se tem a eliminação de qualquer microorganismo e é o processo usado no leite. O leite tem um valor comercial elevado, mas o efluente hospitalar não”, concluiu o pesquisador.
Um exemplo da falta de tratamento de esgoto hospitalar é o do Hospital Regional Laura Vasconcelos, administrado pelo município, no bairro do Alto Cururupu, no Maranhão. Uma enorme cratera que vaza do esgoto hospitalar 24 horas por dia está assustando os moradores daquele bairro. O líquido viscoso, cheiro forte que exala mal e cobre todo o bairro, entra em todas as casas, altera entre a cor verde e amarela incomoda a adultos e crianças. A preocupação dos moradores é que os dejetos que correm pelo canal que corta a rua do bairro possam transmitir doenças, uma vez que eles saem de dentro do hospital.
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Publicado por Conceicao Costa







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