Bactéria bucal relacionada à obesidade
“A saúde começa pela boca”, quem nunca ouviu este ditado? Pois cientistas americanos e brasileiros acabam de fazer mais uma descoberta que confirma esta máxima. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Forsyth, localizado em Boston, Estados Unidos, existe uma relação direta entre a ocorrência de obesidade e a presença, na boca das pessoas, de grandes quantidades de Selenomonas noxia, uma bactéria anaeróbica, ou seja, que não depende de oxigênio para sobreviver, muito comum em pessoas que sofrem de uma doença bucal chamada periodontite e também associada a abortos. Após acompanhar 313 mulheres saudáveis, mas com sinais de sobrepeso ou obesidade moderada, caracterizada por circunferência abdominal de 80 a 88 centímetros, os cientistas perceberam que 90% delas apresentavam concentração da bactéria em quantidades muito superiores ao normal.
Ainda não se sabe a ordem da relação de causa e efeito, se é a bactéria que causa a obesidade ou se a patologia é que provoca a alta concentração do microorganismo. Pelo que se conhece da Selenomonas noxia, é possível afirmar que ela é do mesmo grupo de microrganismos encontrados no intestino, também relacionados com a obesidade. Até agora existem duas hipóteses sendo trabalhadas. A primeira supõe que o organismo dos obesos seja capaz de gerar nutrientes específicos para essa bactéria, fazendo com que ela se multiplique além do normal. Por outro lado, os pesquisadores não descartam a possibilidade de que a bactéria produza substâncias químicas na boca que, uma vez absorvidas, poderiam aumentar a sensação de fome.
O estudo, realizado pelo americano Max Goodson, foi publicado pelo Journal of Dental Research, e contou com participação do professor brasileiro Francisco Carlos Groppo, pesquisador na área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Daqui para frente, ele continua simultaneamente em Boston e em Piracicaba. Enquanto nos EUA será estudada a evolução da Selenomonas noxia em crianças, aqui no Brasil o professor Groppo segue realizando seqüências variadas de testes in vitro.
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Publicado por Angela Arraya







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