Anvisa cancela registro de medicamento para cólicas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de determinar o cancelamento do registro do medicamento Atroveran Plus, fabricado pela empresa farmacêutica Hypermarcas S/A. Também fica suspensa a comercialização e propaganda do mesmo produto. Isso porque, segundo a Anvisa, não existe identidade de formulação entre o Atroveran Plus, cujo princípio ativo é o paracetamol, e o Atroveran Composto, à base de dipirona. A Agência acredita que o adjetivo “plus” poderia levar o consumidor a uma interpretação errônea de que o medicamento seria capaz de oferecer uma otimização dos efeitos do remédio convencional, o que não é o caso.
A marca fantasia Atroveran é uma das líderes no mercado brasileiro de combate às cólicas, dores na pélvis e na parte inferior da barriga que acometem algumas mulheres durante o período menstrual. Acredita-se que a cólica, também conhecida como dismenorréia, esteja entre as duas principais causas de faltas de mulheres ao trabalho ou escola. Este mal atinge principalmente mulheres jovens. Estima-se que cerca de 75% das adolescentes brasileiras sofrem de cólicas em diferentes graus de intensidade, 15% delas chegando a dores tão fortes que impedem o desenvolvimento das atividades do dia a dia.
As cólicas geralmente são causadas pela liberação dos hormônios prostaglandina e progesterona, que atuam, respectivamente, na contração da musculatura uterina e na preparação interna do útero para receber o feto fecundado. Poucas mulheres sabem, mas é possível complementar o tratamento medicamentoso de antiinflamatórios e/ou anticoncepcional com a prática de exercícios físicos regulares, inclusive sexo, além de dieta equilibrada rica em fibras.
Embora seja um efeito considerado “normal”, é preciso estar atenta – cólicas muito fortes podem ser sintomas de cistos, miomas e endometriose, doenças que podem levar à infertilidade e até à morte. Estima-se que em muitos casos o diagnóstico dessas doenças demora mais de uma década para acontecer, justamente porque muitas mulheres acabam sofrendo cólicas fortíssimas silenciosamente.
Forte cólica menstrual atinge 15% das adolescentes
dismenorréia primária, síndrome comum na adolescência, que tem como maior característica a forte cólica menstrual
O estudo da dismenorréia só ganhou maior importância nas últimas décadas, devido às conseqüências socioeconômicas que ela acarreta. Junto com a tensão pré-menstrual, é a principal responsável pela ausência da mulher e adolescente ao trabalho e à escola
75% das adolescentes têm cólica, que pode ser leve, mediana ou intensa, e 15% enfrentam dores tão fortes que não conseguem fazer suas atividades habituais. A dismenorréia primária atinge as adolescentes; já a secundária geralmente surge após os 25 anos e é causada por algum problema no sistema reprodutor.
Se a cólica continuar forte após os 20 anos, é preciso investigar possíveis problemas que seriam a causa da dismenorréia secundária, como cistos e miomas –que, se não forem tratados, podem prejudicar o futuro reprodutivo.
Cólica pode ser combatida com exercícios e medicamentos
Para muitas delas, as cólicas –dores na parte inferior da barriga que se repetem a cada ciclo e também são chamadas dismenorréias–, são mais incômodas do que as mudanças de humor causadas pela TPM. Para combater o problema, normalmente são usados remédios, mas exercícios físicos também ajudam a evitar os sintomas.
“As dores podem durar até dez dias, mas normalmente permanecem de três a cinco dias, no período entre o 25º dia de um ciclo menstrual e o 5º dia do seguinte”, diz o médico Fernando Moreira de Andrade, ginecologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, na capital. Segundo ele, a dor geralmente é maior nos primeiros dias e vai diminuindo com o passar dos dias.
O surgimento da cólica tem a ver com a liberação de prostaglandina e progesterona no organismo. A prostaglandina é um tipo de hormônio que estimula a compressão do músculo uterino. A progesterona é outro hormônio, este responsável principalmente por preparar o interior do útero para receber o ovo fecundado e iniciar a gestação.
Antes da primeira menstruação, é impossível prever se uma mulher terá cólicas ou não. “Não existe um perfil de pessoas mais sujeitas ao problema nem uma interferência hereditária decisiva. Muitas vezes uma mulher é vítima de cólicas terríveis e a irmã dela nunca teve esse problema”, afirma Andrade.
Solução
Para combater o problema são recomendados medicamentos, mas também é possível usar outros recursos. “Em casos mais amenos, atividade física regular, dieta rica em fibras e analgésicos comuns podem ser suficientes”, diz Roney Signorini Filho, ginecologista do Hospital Estadual Pérola Byington, na capital.
“Em caso de queixas mais importantes, pode ser necessário recorrer a antiinflamatórios mais potentes, uso crônico de pílulas anticoncepcionais e, em situações extremas, bloqueio da menstruação.”
Segundo Fernando de Andrade, se a intenção é apenas combater a cólica –sem preocupação com gravidez–, antiinflamatórios são mais indicados que anticoncepcionais.
Como a maioria das mulheres não apresenta causa aparente para a dismenorréia, é essencial haver bom senso na escolha dos exames e do tratamento, diz Signorini Filho. “É imprescindível uma relação de confiança entre o médico e a paciente.”
Cólica forte em adolescentes é primeiro sintoma da endometriose
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TATIANA DINIZ
da Folha de S.Paulo
F icar de cama “naqueles dias” é normal na adolescência. E, quando casar, passa. A brincadeira repetida por avós, mães e tias entre ofertas de chás e de bolsas de água quente perdeu a graça. No lugar dela, entra um alerta nacional para que as famílias desconfiem da recorrência de cólicas incapacitantes: é o primeiro sintoma da endometriose, que pode levar à infertilidade na idade adulta e que tem muito mais chances de ser contornada com um diagnóstico precoce.
Divulgação
Endometriose, que ganhou o apelido do “mal da mulher moderna”, atinge 6 mi de brasileiras
Endometriose, que ganhou o apelido do “mal da mulher moderna”, atinge 6 mi de brasileiras
A doença, que se caracteriza pela presença do endométrio (tecido que compõe a camada interna do útero) fora do seu órgão de origem, ganhou o apelido de “mal da mulher moderna” e começou a chamar a atenção nos últimos dez anos.
Das clínicas de fertilização vem a maioria das pacientes que partem para investigações e recebem o diagnóstico. Embora não existam estatísticas precisas dos casos de infertilidade, é consenso entre os especialistas que essa é uma das causas mais freqüentes da dificuldade de engravidar, e sabe-se que metade das portadoras se torna infértil.
O que poucos consideram é que essa dificuldade se desenvolve lentamente e pode ser desencadeada logo no início da idade reprodutiva, antes mesmo de a menina ter sua primeira relação sexual.
“Endometriose é um problema que acomete quem menstrua. Mulheres que desenvolverão a enfermidade já podem ter, aos 14, 15 ou 16 anos, a tendência ou a manifestação leve”, diz Marco Aurélio de Oliveira, ginecologista e chefe do ambulatório de endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Segundo ele, a presença de adolescentes vem aumentando no ambulatório, por onde já passaram mais de 400 pacientes.
A observação é compartilhada pela Abend (Associação Brasileira de Endometriose), que, a pedido da Folha, analisou a faixa etária das portadoras que procuram ajuda. “Levei um susto. Mais da metade tem até 25 anos e já sentia os sintomas há algum tempo”, revela a presidente, Eleuze Mendonça.
A idéia de que sentir dor ao menstruar não é nada demais é uma das razões do diagnóstico tardio -segundo estimativas do Nepe (Núcleo Interdisciplinar de Ensino e Pesquisa em Endometriose), meninas que começam a sofrer com os sintomas na adolescência chegam ao diagnóstico até 12 anos depois, quando muitos estragos já foram feitos ao corpo.
O núcleo realizou na semana passada, em São Paulo, a 1ª Campanha Nacional de Esclarecimentos sobre a Endometriose, a fim de divulgar conhecimentos sobre a doença, que hoje atinge cerca de 6 milhões de brasileiras. No mundo, a marca é de 30 milhões.
Incógnita
As causas do distúrbio seguem desconhecidas. Hoje, uma das teorias mais difundidas é a de que alterações do sistema imunológico levam o corpo a atacar partículas do endométrio arrastadas no refluxo do sangue menstrual para outros tecidos (leia mais no quadro na pág. 9), gerando inflamações crônicas que podem levar à adesão de órgãos. Fatores genéticos, estilo de vida, sedentarismo e alimentação inadequada potencializam o risco.
Facada
“Sempre tive cólica, mas, aos 16, piorou. Era uma dor diferente, aguda, parecia que me davam uma facada na barriga”, conta a professora de matemática Karen Campitelli, 22, que tem endometriose e já se submeteu a uma intervenção cirúrgica para tratar a doença.
Na cirurgia, ela teve de retirar o ovário esquerdo e um pedaço do intestino, que estavam danificados.
A partir dos 16, era hospital todo mês. “Tinha febre, passava mal onde estivesse, na rua, no ônibus. Era internada e me davam Buscopan na veia”, lembra. Uma crise mais forte foi confundida com apendicite. Foi dessa vez, muitos anos depois de surgirem as primeiras cólicas crônicas, que ela descobriu o que tinha realmente.
“Passei por tanta coisa, fiz simpatia, pus garrafa quente na barriga, tomei tanto chá, tanto remédio. Ao mesmo tempo, tinha uma alimentação horrível, passava 12 horas na faculdade estudando, vivia estressada, só comia besteira”, relata.
Com o diagnóstico, veio o medo. “Fiquei deprimida achando que ia ficar estéril.” Mas a intervenção veio a tempo de afastar essa possibilidade.
Hoje, Karen ensina: “Quem tem muita dor, dessas de não conseguir ir à escola nem fazer nada, tem que se informar logo cedo, ir ao médico, fazer exames. Eu achava que não precisava de ginecologista porque era virgem. Toda menina precisa. Hoje estou bem, feliz, noiva, sei que vou ter filhos. Faço ioga para afastar o estresse e vigio a alimentação. De lá para cá, já perdi 14 kg”.
Gravidez
O tempo de tratamento adequado é uma variável importante para evitar complicações na gravidez. Que o diga a relações públicas Lívia de Queiroz Soares, 23, grávida de sete meses. “Esse bebê na minha barriga é um milagre. Cada vez que ouvi que talvez não pudesse ter filhos fiquei arrasada. Fui até Salvador com meu marido para fazer promessa”, conta.
Da primeira menstruação, aos nove anos e acompanhada de dores que ela descreve como “insuportáveis”, foram dez anos até receber o diagnóstico correto. As pistas sempre estiveram ali: além da dor recorrente, o fluxo era intenso e irregular. “A cólica era incapacitante, eu não fazia mais nada, passava dias com as mãos suando de tanta dor.”
Aos 19, foi internada, também com suspeita de apendicite. Descobriu a endometriose, tratou-se e, mesmo assim, levou dois anos para engravidar. “Tem sido uma gravidez complicada, tive pressão alta, perdi líqüido amniótico. Mas o bebê está aqui, firme.”
Depois que soube o que tinha, Lívia fez campanha entre as amigas para que investigassem suas cólicas. “Uma delas descobriu que também tinha a doença e nós passamos a nos dar forças, a cuidar juntas.”
Veja como amenizar os sintomas da TPM leve a moderada
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ERIKA MORAIS
da Revista da Hora
Só um médico pode indicar o melhor tratamento para a TPM. No entanto, em casos leves ou moderados, as dicas abaixo podem ajudar.
1 – Aprenda a se conhecer
Nos dias que antecederem a menstruação, passe a se policiar. Agora ficou muito fácil, pois você já pode prever as mudanças que ocorrem no seu comportamento. Antes de qualquer reação da qual possa se arrepender depois, pare e pense. Se puder, saia e caminhe, faça compras ou vá ao cinema. Se preferir, aproveite para fazer alguma arrumação
2 – Faça exercícios
Os exercícios físicos podem ser úteis no tratamento da TPM porque reduzem a tensão, a depressão e melhoram a auto-estima. Embora qualquer exercício físico possa aliviar a TPM, os que melhor atingem esse objetivo são os aeróbicos, mas, se você não está acostumada a fazer exercícios, comece com as atividades menos cansativas. Andar é fácil e eficaz
3 – Perca alguns minutos a mais se arrumando
Uma roupa mais alegre e jovial e um rosto com uma pintura discreta deixarão você mais bonita e se sentindo mais autoconfiante. Mesmo que não pretenda sair de casa, arrume-se para esperar seu marido/namorado ou seus filhos. Nunca descuide da sua aparência. A auto-estima geralmente fica baixa no período pré-menstrual. Elevá-la é fundamental, pois você terá mais disposição para tudo e não se sentirá tão mal
4 – Elimine o pessimismo
Aprenda a ter pensamentos otimistas. Alguns dias antes da menstruação, é freqüente você acordar pessimista, rancorosa, triste e sem esperança? Afaste o pessimismo tão logo ele apareça. Tente pensar de forma positiva
5 – Cuidados com a dieta
A dieta deve ser equilibrada, com pouco açúcar e muita vitamina. Algumas regras básicas devem ser obedecidas:
- Faça pequenas refeições ao dia ao invés de três grandes
- Limite a ingestão de calorias a 1.500 a 2.000 ao dia
- Coma mais verduras e frutas
- Evite tomar café e seus derivados, pois eles agravam a TPM
- Reduza o sal da comida. Isso reduzirá o inchaço e conseqüentemente, os sintomas físicos, tais como dores nas pernas, nas mamas e na barriga
- Evite doces. A ingestão de açúcar causa retenção de sal e água. Algumas mulheres podem se sentir aliviadas ao ingerir chocolates ou outros doces, apresentando melhora rápida da depressão e da ansiedade. No entanto, o benefício é temporário
- Fuja do álcool. A ansiedade, a depressão e a diminuição da auto-estima podem acarretar aumento da ingestão do álcool no período pré-menstrual, o que, obviamente, nunca faz bem
- Consuma, de preferência, alimentos que atuem como diuréticos, isso é, que façam o organismo eliminar mais água, tais como: morango, melancia, alcachofra, aspargo, salsa e agrião
6 – Alivie a tensão conversando
Conversar ajuda a reduzir a tensão e a enxergar o problema com mais clareza. Fale com seu marido, seus filhos ou seus amigos sobre o que está sentindo. Assim, eles poderão ajudá-la não só evitando situações de atrito mas também no desempenho das tarefas
7 – Execute uma coisa de cada vez
Durante os dias em que estiver com TPM, concentre-se nas tarefas mais importantes e adie as demais. Se achar que não pode deixar nada de lado, reflita: tem certeza de que não está superestimando a importância das coisas que faz?
8 – Faça mais sexo
A relação sexual, quando seguida de orgasmo, não somente reduz a tensão mas também a irritabilidade e a congestão pélvica
Saiba como controlar a endometriose
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TATIANA DINIZ
da Folha de S.Paulo
A partir do diagnóstico, a estratégia de controle pode ser traçada. Isso porque a endometriose, como o diabetes, é um quadro sem cura, mas a portadora pode controlar a evolução e se livrar da perda de qualidade de vida.
Parte desse cuidado vem da orientação psicológica. “Costumo dizer que 50% do tratamento é terapia”, enfatiza Patrícia Mello, ginecologista do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. “Em casa, os pais devem observar as filhas. Será que estão dando conta de tantas transformações? As que têm mais dificuldade de encarar essa transição geralmente estão mais suscetíveis à endometriose”, completa.
O tratamento é feito com laparospcopia (cirurgia com vídeo), em que são removidas áreas de tecido atingidas pela endometriose, e suspensão de menstruação, na maioria dos casos. O tipo de medicamento usado para suspender a menstruação e o tempo desse procedimento variam de acordo com cada paciente.
Encarar a vida com menos pressão, comer bem, praticar exercícios, cultivar o bem-estar. Esses são os ingredientes finais da receita para afastar as complicações da doença e manter o corpo sob controle.
É nelas que hoje se concentra a estudante Isadora Lepera Ribeiro, 21, que corre atrás de muitos anos perdidos. “Minha adolescência foi difícil. Passava metade do mês de TPM e a outra metade esperando os sintomas. Cada vez que menstruava, perdia escola, festa, tudo. Minhas amigas não tinham nada daquilo. Não entendia”, diz.
Embora os sintomas tenham se manifestado desde os 12 anos, ela só soube da endometriose há pouco tempo. Há um mês, fez a cirurgia de tratamento. “Tudo que penso é que podia ter descoberto aos 15 anos e sofrido muito menos. Foram nove anos muito ruins. Esse tratamento poderia ter vindo muito antes”, conclui.
Conhecimento, sexo e distância de certos alimentos podem aliviar TPM
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ERIKA MORAIS
da Revista da Hora
Cólica, inchaço, dor de cabeça ou nas pernas. Quem nunca sofreu as conseqüências de uma TPM que atire a primeira pedra. A tensão pré-menstrual, mais conhecida por sua sigla, causa transtornos a cerca de 80% das mulheres e, na maioria dos casos, também a quem convive com elas.
A TPM é até considerada frescura, e a má notícia é que não há cura para ela. Mas há, sim, maneiras de driblar essa síndrome, que pode se manifestar na forma de até 150 sintomas, entre cerca de dez dias antes da menstruação e o fim do sangramento.
Ana Ottoni/Folha Imagem
Carla Regina, atriz da novela “Os Mutantes”, da Record, colocou implante de hormônios que acabou com a tensão pré-menstrual
Carla Regina, atriz da novela “Os Mutantes”, da Record, colocou implante de hormônios que acabou com a tensão pré-menstrual
A TPM chega sem avisar. Não há uma idade certa para ela aparecer. “Antes, falava-se que as mulheres afetadas tinham, principalmente, entre 20 e 30 anos ou simplesmente estavam em idade fértil. Hoje, sabemos que não é assim. Em minhas pesquisas, vi que 63% das jovens entre 15 e 17 anos sofrem com TPM”, afirma a psicóloga Maria Regina Domingues de Azevedo, da Faculdade de Medicina do ABC, que analisou em sua tese de doutorado as influências dos fatores individuais e socioculturais na TPM de adolescentes. Também não há uma única causa, mas um conjunto que faz com que mulheres sofram em níveis de intensidade diferentes.
De acordo com a ginecologista Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com TPM, do Hospital das Clínicas, entre os fatores que provocam a TPM, cinco são fundamentais: a hereditariedade, a queda dos níveis de serotonina (substância que provoca a sensação de bem-estar), alterações hormonais, aumento na produção de prostaglandinas (substâncias que, quando produzidas em grande quantidade, podem provocar dor e inchaço) e fatores externos, como estresse ou uso de medicamentos.
Tipos
O primeiro passo para atravessar bem esse período pode ser descobrir qual é o seu tipo predominante de TPM: ansiosa, louca por doces, depressiva ou inchada. Também é importante avaliar a intensidade para saber como deve ser o tratamento.
Em casos leves ou moderados, evitar determinados alimentos e fazer exercícios físicos pode ajudar. Caminhada, alongamento, natação, hidroginástica, ioga e dança são atividades que sempre ajudam a combater os sintomas. “É bom lembrarmos que o sexo também é muito saudável e recomendado, afinal, trata-se de um exercício físico. Além disso, no sexo feito com carinho, a mulher se sente amada, e isso ajuda a melhorar a TPM”, afirma Mara Diegoli.
Algumas mulheres também tendem a ter muita fome durante o período, por isso, o cuidado com a alimentação deve ser redobrado. Por mais difícil que seja, nada de sair comendo tudo o que vê pela frente. Você não vai querer ficar muito acima do peso e, de quebra, com sintomas depressivos. E nada de abusar do chocolate.
Henrique Manreza/Folha Imagem
Ginecologista Elsimar Coutinho foi um dos primeiros profissionais a falar sobre a interrupção permanente da menstruação
Ginecologista Elsimar Coutinho foi um dos primeiros profissionais a falar sobre a interrupção permanente da menstruação
“Chocolate é rico em gordura, portanto, deve ser evitado, já que a gordura piora a TPM”, alerta o ginecologista e obstetra Nilson Szylit, do Hospital Israelita Albert Einstein. Mas deixe de lado a paranóia: “Só um pouquinho não faz mal”, diz ele.
Casos graves
As mulheres que conseguem amenizar os sintomas e passar bem pelo período da TPM mudando alguns hábitos são maioria. No entanto, entre 5% e 8% dos casos, sintomas são severos e interferem de forma decisiva em suas vidas, nos relacionamentos com a família, com os amigos e no trabalho.
“Para o tratamento de mulheres que sofrem de TPM severa, muitas vezes, são receitados medicamentos de acordo com cada caso, desde analgésicos potentes para as cefaléias até antidepressivos para as que têm sintomas de tristeza profunda”, afirma Mara Diegoli.
Quando os sintomas psíquicos são muito intensos, nada mais recomendado do que ter cuidado com o que se fala e o que se faz. “Quem sofre com a síndrome deve lembrar que a TPM passa, mas as conseqüências podem durar a vida toda”, diz a psicóloga Maria Regina Domingues de Azevedo.
A famosa irritabilidade das mulheres na TPM pode ser responsável por muitos transtornos. “Uma vez, quase perdi uma amiga por uma briga boba. Acabei sendo muito grossa com ela e, quando me dei conta de que eu tinha passado dos limites por conta da TPM, fui pedir desculpas. Ela, para minha sorte, compreendeu e perdoou”, conta a revisora Cristina Menegocci Losano, 22 anos, que tem TPM há dez.
A ex-BBB Jaqueline Khury conta que sofre com suas alterações de humor. “Já terminei namoro por causa de TPM, mas voltava no dia seguinte. Minha família nem liga mais quando tenho aquele estresse porque depois me arrependo de tudo”, conta.
Papel da família
Receber o apoio de familiares é fundamental no período. É fato que a mulher fica mais sensível dias antes de menstruar. Isso ocorre porque os níveis de serotonina, substância associada ao humor e ao bem-estar, diminuem. E, nessa hora, nada mais desagradável do que ironias, risinhos ou grosserias.
De acordo com a psicóloga Maria Regina, a reação negativa da família aumenta em até quatro vezes a probabilidade de a adolescente enfrentar TPM. “Em muitos casos, a falta de compreensão por parte de familiares faz com que a mulher tenha os sintomas ainda mais acentuados.”
M.B., 35 anos, é há algumas semanas paciente do Centro de Apoio à Mulher com TPM. Há 11 anos, ela chegou a procurar um psicólogo para tentar tratar seus sintomas, que são intensos, mas acabou desistindo por falta de apoio. “Meu marido –na época em que procurei ajuda pela primeira vez eu era casada– dizia que eu era louca. A família não entende a gente. Minha mãe também não me leva a sério. Sem o apoio familiar, tudo fica mais difícil. Acabei me isolando”, conta.
Menstruar ou não?
Danilo Verpa/Folha Imagem
Malcolm Montgomery utiliza método de implante de hormônios na região das nádegas para promover a suspensão da menstruação
Malcolm Montgomery utiliza método de implante de hormônios na região das nádegas para promover a suspensão da menstruação
Se não menstruarmos, não teremos TPM, certo? Certo. Mas interromper a menstruação não é consenso entre os médicos. Para o médico baiano Elsimar Coutinho, autor do livro “Menstruação, a Sangria Inútil”, não existe desvantagem em parar de menstruar. “Antigamente, como a mulher tinha muitos filhos, ela tinha menos ciclos, chegava a ter entre 40 e 50. Hoje em dia, mesmo a que tem apenas um filho chega a ter 400 ciclos. Quanto maior o número de ciclos menstruais, maior o risco de a mulher se tornar infértil, além de poder ter câncer”, afirma Coutinho.
Discípulo do baiano, o ginecologista Malcolm Montgomery segue a mesma linha, e ambos utilizam um método de implante de hormônios nas nádegas para a suspensão da menstruação. “Se a mulher não menstruar, não vai ter TPM, mas, se chegar ao meu consultório querendo parar de menstruar por causa disso, vou analisar o caso e ver se não há outra alternativa”, afirma Montgomery.
Sintomas como inchaço, enjôos, dor de cabeça e irritabilidade eram constantes para a atriz Carla Regina, atualmente na novela “Os Mutantes” (Record). Há três anos, ela colocou o implante de Montgomery, com quem namora. “Como trabalho com TV, o inchaço sempre me prejudicou bastante. No entanto, antes do implante, já cuidava da alimentação”, diz.
Outros métodos anticoncepcionais, como DIU, pílula de uso contínuo, injeção de progesterona e implante subcutâneo no braço também acabam com a menstruação. Para Mara Diegoli, a interrupção da menstruação só deve ser indicada em último caso. “Todos os medicamentos que interrompem a menstruação têm efeitos colaterais. Aconselho a tratar o problema de outras formas e, só em último caso, interromper a menstruação”, alerta a médica.
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Publicado por Angela Arraya
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