Agrotóxicos: lei tolera, mas eles fazem mal à saúde
Um grupo de pesquisa que reúne universidades como UFRJ, Unicamp e USP, além de três sociedades cientÃficas estão organizando uma lista de agrotóxicos tolerados pela lei brasileira, mas que fazem mal à saúde. Segundo os pesquisadores, a lista ainda está no inÃcio, mas já inclui 27 substâncias perigosas que são vendidas livremente. O objetivo da lista é combater uma tendência histórica do governo de só controlar substâncias após outros paÃses tomarem a iniciativa. Segundo os cientistas, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e enfrenta problemas crônicos de contaminação. Eles dizem que nosso paÃs lida muito mais com compostos prejudiciais à saúde do que os europeus e americanos, porque aqui as moléculas se movimentam de forma diferente: como nosso clima é mais quente, há uma evaporação maior, levando mais substâncias ao ar e os problemas chegam à comida.
Os estudos – mostrando as substâncias que podem causar desequilÃbrios hormonais com danos que vão da obesidade e depressão à redução da fertilidade masculina – serão apresentados ao Ministério da Saúde, órgão responsável por determinar restrições ao uso de agrotóxicos. De acordo com os cientistas, as subastâncias analisadas levam muito tempo para serem eliminadas do meio ambiente. O pesticida é aplicado no solo por agricultores e determinadas substâncias são levadas pela chuva até o lençol freático que fica contaminado por compostos que demoram a se degradar na natureza. O pasto é ingerido pelo gado. A água contaminada por agrotóxicos pode ser captada por poços, que servirá de consumo impróprio do homem. Quando o homem come a carne bovina, ele entra em contato com moléculas presentes em agrotóxicos. Os poluentes seguem o lençol freático até o rio, onde contaminam a vida marinha e o homem.
Outra forma de intoxicação relatada pelos cientistas é a inalação, ou seja, a poluição do ar. Nos cinturões agrÃcolas, segundo os pesquisadores, a população está exposta aos pesticidas aplicados nas plantações. A Sociedade Brasileira de Mutagênese, Carcinogênese e Teratogênese Ambiental quer propor que o governo tenha sua própria metodologia para definir que substâncias devem ser controladas, ao invés de ficar esperando a iniciativa de outros paÃses. O grupo escolheu os agrotóxicos para comerçar os seus estudos, mas outros compostos serão analisados depois, como é o caso do bisfenol A presente em latas, embalagens e brinquedos, que teria ligação com casos de câncer e doenças cardÃacas.
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Publicado por Conceicao Costa







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