Adolescentes soropositivos têm dificuldades em relação à iniciação sexual
Estudar o comportamento sexual de adolescentes que nasceram infectados pelo HIV devido à transmissão vertical – de mãe para filho durante a gestação, o parto ou a amamentação – foi a dissertação de mestrado do pesquisador Luiz Montenegro. Para o estudo, que foi defendido na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) foram analisadas entrevistas com 18 adolescentes soropositivos, entre 15 e 20 anos, e duas infectologistas responsáveis eplo atendimento a esses pacientes. No Brasil, segundo o pesquisador, entre os menores de 13 anos portadores do HIV, 84,5% se infectaram pela via vertical de transmissão. Calcula-se em 1,6 mil o número de casos acumulados nessa faixa etária no período de 1995 e 2008.
No estudo, o pesquisador identificou vários assuntos relacionados não só ao tratamento médico, mas também em relação às angústias, aspirações e incertezas características dessa fase da vida. Adolescentes vivendo com Aids se deparam, de acordo com a pesquisa, com limitações que podem impedí-los de experimentar esse peíodo da vida como seus colegas, visto que ter HIV significa estar sob cuidados permanentes, típicos de uma doença crônica.”Os cuidados envolvem várias doses de medicamentos diariamente, consultas médicas e exames rotineiros e até a possibilidade de hospitalização”, conta Montenegro.
O medo de ser estigmatizado e identificado como uma pessoa com HIV, diz o pesquisador, é bastante forte nos relatos deles. “Eles demonstraram sentimentos de medo, rejeição e vergonha de viver com HIV. Esse componente psicológico, muitas vezes, leva à negação da infecção e ao consequente abandono do tratamento”, diz. Um outro momento difícil na vida desses adolescentes é com relação à iniciação sexual. De acordo com o pesquisador, eles relataram incertezas quanto ao momento certo de contar sobre sua infecção ao parceiro, por medo de rejeição ou receio de contaminar o outro, além de dificuldades ligadas à negociação do uso de preservativo. “O dierito do adolescente de manter seu diagnóstico em segredo entra em conflito com suas preocupações em relação aos parceiros sexuais”, comenta Luiz Montenegro.
Dos 18 adolescentes entrevistados, oito se autodeclararam sexualmente ativos. Desses, a maioria afirmou usar frequentemente a camisinha, sem informar, no entanto, o parceiro sobre sua condição de portador de HIV. O pesquisador observou também que, embora fizessem tratamento há vários anos, muitos adolescentes tinham pouco conhecimento sobre o HIV e a Aids, o que sugere, segundo ele, uma falha de comunicação entre os profissionais de saúde e os pacientes.
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Publicado por Conceicao Costa










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