A delicada questão da correção das “orelhas em abano”
“Crianças com ‘orelhas em abano’ são alvos de piadas e chacotas na escola e não passam despercebidas pelos colegas em lugar nenhum. Viver a infância sendo chamado de ‘Dumbo’, ‘açucareiro’, ‘morcego’, ‘fusca de portas abertas’ e de muitos outros apelidos pejorativos pode fazer muito mal para a auto-estima. Pais e educadores precisam estar sempre atentos, para que os ofendidos sejam poupados do constrangimento ininterrupto, que prejudica o desempenho escolar, compromete a auto-estima e o relacionamento, em casa e na escola, destas crianças”, defende o cirurgião plástico, Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.
Para terminar com o constrangimento social, a otoplastia, cirurgia para correção de deformidades na orelha externa, é o caminho indicado. Geralmente, ela é realizada entre os 7 e os 14 anos de idade, quando as orelhas já atingiram o tamanho definitivo. Adultos também podem se submeter à operação, mas por possuírem cartilagens mais rígidas, em 15% dos casos há recidivas, mas a cirurgia pode ser refeita.
As orelhas em abano são um distúrbio caracterizado pelo aumento do ângulo entre a orelha e o crânio. A medida padrão de espaçamento das orelhas varia entre 30 e 45 graus, ou seja, um espaço de até dois centímetros de abertura visto de trás. No entanto, pode ocorrer o apagamento da dobra mais externa da orelha – chamada de anti-hélice – o que produz uma abertura maior da parte superior da orelha.
“Cerca de 5% das pessoas apresentam a anomalia, que ocorre mais freqüentemente em meninas. Não se sabe qual é a origem do problema, mas é possível afirmar que, nem a posição do feto no útero, nem qualquer dificuldade na hora do parto são responsáveis. Trata-se de uma malformação hereditária, em geral, com vários casos na mesma família e todos parecidos”, explica Ruben Penteado.
Desconforto
O problema, detectado já no nascimento, incomoda muito aos pais das crianças. Alguns, antigamente, submetiam o filho à “tortura” de ficar, dia e noite, com uma touca ou esparadrapos colados à cabeça. “Estas receitas caseiras não adiantam nada, já que a orelha possui uma estrutura elástica. Mesmo depois de muito tempo dobrada em um sentido, ao ser solta, ela volta à posição natural”, alerta o cirurgião plástico.
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Publicado por Lais







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